Seu carro elétrico pega fogo na garagem: o seguro cobre?

Era uma terça-feira comum em Teresina, no Piauí. Um morador tinha plugado o carro elétrico no ponto de recarga da garagem antes de dormir — exatamente como fazia toda semana. Quando o incêndio começou, não havia como prever o tamanho do estrago. O fogo se alastrou pelo subsolo do prédio e, de acordo com matéria sobre o caso no CQCS, o prejuízo chegou a somar quase R$ 1 milhão.

Ou seja, carregar um seguro para carro elétrico em condomínio deixou de ser um detalhe. E, ainda assim, muitos proprietários não sabem se estão de fato protegidos quando isso acontece.

Por que o fogo em bateria de lítio é diferente

Antes de falar de seguro, é preciso entender o risco. E aqui existe um dado que surpreende: segundo estudos do National Transportation Safety Board (NTSB), dos Estados Unidos, veículos elétricos têm menos chance de pegar fogo do que carros a combustão. No entanto, o problema não é a frequência — é a intensidade.

Quando uma bateria de íon-lítio entra em colapso térmico, ocorre o chamado “thermal runaway”: o incêndio se autoalimenta, produz seu próprio oxigênio e pode durar mais de 12 horas. Além disso, água comum não resolve e extintores convencionais não são suficientes. Por isso, casos registrados em Lisboa e Seul, em 2024, destruíram centenas de veículos a partir de um único carro elétrico estacionado em garagem coberta.

É exatamente esse risco que levou o Corpo de Bombeiros Militar a agir. Em 2025, portanto, o Conselho Nacional de Comandantes-Gerais (LIGABOM) publicou a Portaria 029/2025, estabelecendo normas nacionais de segurança para garagens com carregadores de veículos elétricos — os chamados SAVE. A obrigatoriedade entrou em vigor em fevereiro de 2026. Além disso, aqui no Rio Grande do Sul, o Corpo de Bombeiros Militar abriu consulta pública para normatizar especificamente os pontos de recarga em prédios residenciais e comerciais do estado.

O cenário regulatório está mudando. Nesse sentido, a pergunta que fica para quem já tem — ou está pensando em ter — um carro elétrico é: e o seguro, está acompanhando?

O que o seguro de carro elétrico em condomínio cobre (e o que pode complicar)

A boa notícia é que, de forma geral, o seguro auto cobre incêndio em veículo elétrico, inclusive em caso de perda total. Segundo Fred Almeida, consultor em gestão de riscos e cofundador da BMEX Group, em entrevista ao portal CQCS, “sob a ótica do segurado, a indenização pelo veículo tende a ocorrer normalmente.”

Além disso, existe um “porém” que pouca gente discute na hora de contratar. Se quiser entender melhor como funciona o seguro automóvel na prática, vale a leitura antes de seguir.

O que pode ficar de fora da cobertura

1. Danos causados a terceiros e à estrutura do condomínio: O seguro auto cobre o seu carro. No entanto, os carros dos vizinhos, a estrutura da garagem e os equipamentos do prédio são outro capítulo. Se o incêndio se alastrar (e em baterias de lítio, ele se alastra), a responsabilidade sobre os danos a terceiros pode recair sobre você. Portanto, sem a cobertura de Responsabilidade Civil na apólice, esse custo sai do seu bolso. Veja como esse tipo de situação se desdobra na prática no artigo sobre incêndio e seguro empresarial.

2. A bateria em si: Nem toda apólice inclui a bateria como item coberto. Vale lembrar que a bateria pode representar mais de 40% do valor de reposição de um veículo elétrico. Por isso, verificar esse ponto antes de assinar é essencial.

3. Danos elétricos ao carregador e à instalação: Carregadores domésticos e wallboxes instalados na vaga raramente estão incluídos no seguro auto padrão. Dependendo do sinistro, esse item pode ser enquadrado no seguro residencial — ou ficar descoberto. Vale entender também como a Ducon atua na gestão de sinistros residenciais.

4. Agravamento de risco por instalação irregular: Se o carregador foi instalado sem ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) de engenheiro habilitado, sem conformidade com as normas NBR 5410 e NBR 17019, a seguradora pode questionar a cobertura alegando agravamento de risco. Ou seja, isso não é teoria: é uma cláusula presente na maioria das apólices e que ganha força agora que as normas técnicas são obrigatórias.

O que mudou no mercado de seguros para elétricos

O mercado está se movendo rápido. Dados do IPSA (Índice de Preço do Seguro de Automóvel) mostram que, em abril de 2026, veículos elétricos e híbridos já representavam 16,1% de todas as cotações de seguro no Brasil — mais que o triplo da participação registrada em 2024. Além disso, as seguradoras estão adaptando produtos, criando coberturas específicas para bateria, assistência para pane elétrica e até guincho com protocolos diferenciados para EVs.

No entanto, o consumidor ainda não acompanhou esse ritmo. Muita gente contrata o seguro do carro elétrico como se fosse um Gol 2015 — sem verificar as cláusulas específicas, sem checar a cobertura de RC, sem perguntar sobre a bateria.

Cinco perguntas que você precisa fazer antes de contratar

Se você tem um carro elétrico e mora em condomínio, leve essas perguntas para a próxima cotação:

1. Sua apólice é compreensiva (cobertura ampla)? Esse é o pré-requisito de tudo. Coberturas básicas não incluem incêndio do próprio veículo. Portanto, se a resposta for não, as perguntas seguintes não se aplicam — comece por aqui.

2. A bateria está coberta em caso de incêndio ou pane? Pergunte especificamente. Não assuma que sim.

3. A apólice inclui Responsabilidade Civil para danos a terceiros? Em caso de incêndio que se alastra para outros veículos ou para a estrutura do prédio, quem paga?

4. A instalação do carregador está dentro das normas exigidas pelo Corpo de Bombeiros? Uma instalação irregular pode ser usada pela seguradora para questionar a indenização. Portanto, regularize antes de acionar o seguro.

5. O guincho e a assistência 24h têm protocolo para veículos elétricos? Veículo elétrico com pane não pode ser rebocado da mesma forma que um carro convencional. Por isso, confirme se a assistência da apólice tem capacidade técnica para isso.

O que está acontecendo no RS agora

O Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul abriu consulta pública para normatizar os pontos de recarga de veículos elétricos em prédios residenciais e comerciais. O objetivo é claro: conter os riscos de incêndio em baterias de lítio antes que os casos se multipliquem no estado.

Nesse sentido, para os moradores de condomínios em Porto Alegre e no interior do RS que já têm — ou planejam instalar — carregadores em suas vagas, isso significa uma coisa prática: a exigência técnica chegou, e a janela para adequação está aberta.

Além disso, condomínios que não se adequarem às normas técnicas podem ter dificuldades na renovação do AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros). Ou seja, proprietários com instalações irregulares correm o risco de ver sua indenização questionada no momento em que mais precisam dela. Para saber como acionar a Ducon em caso de sinistro, acesse nossa página dedicada ao tema.

Proteger o carro elétrico vai além de contratar um seguro

Ter um seguro auto é o mínimo. No entanto, ter o seguro certo para o seu perfil — com as coberturas adequadas para a tecnologia do seu veículo e para o ambiente onde ele fica — é o que faz diferença no momento do sinistro.

Na Ducon, portanto, a gente não entrega uma apólice. A gente analisa o seu caso: o modelo do veículo, o tipo de instalação, o condomínio onde você mora, e indica a cobertura que de fato protege o seu investimento.

Se você tem um carro elétrico — ou está prestes a ter —, fale com um dos nossos consultores. A cotação é gratuita e o diagnóstico pode evitar uma surpresa cara.

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