O governo do Rio Grande do Sul anunciou, em 21 de setembro, a criação do Fundo Gaúcho de Riscos Climáticos. O aporte inicial é de R$ 102 milhões. O governo apresentou o mecanismo no Palácio Piratini, poucos dias depois do início da primavera 2026. Nesse período, o INMET, o INPE e a Funceme divulgaram prognóstico de chuvas acima da média pra toda a Região Sul, de outubro a dezembro. Na prática, a proposta do fundo é dividir parte do risco com as seguradoras pra estimular a oferta de apólices contra enchente no estado.
O modelo funciona por meio da compra de Letras de Risco de Seguro, as LRS. As próprias seguradoras emitem esses títulos, vinculados a operações de seguro. Com o fundo absorvendo parte do risco, a Secretaria da Fazenda espera que o custo das apólices caia. Além disso, espera que mais seguradoras passem a oferecer cobertura contra evento climático no território gaúcho. O capital fica aplicado por cinco anos. Já os rendimentos do fundo vão pra manutenção de casas de bombas, comportas e diques do estado.
O escopo inicial do fundo tem um limite claro. Segundo a publicação oficial do governo, ele contempla apenas seguros residenciais e de prédios públicos. Ou seja, empresas, armazéns, frotas e condomínios não entram, ao menos nesse primeiro momento. A expectativa é que o mecanismo possa ser estendido depois. No entanto, essa expansão depende de regulamentação complementar que o governo ainda não anunciou.
Por que o Fundo Gaúcho de Riscos Climáticos importa pra quem tem patrimônio no Sul
A enchente de 2024 causou R$ 41,3 bilhões em danos no Rio Grande do Sul, segundo estimativas do próprio governo estadual. Desse total, R$ 36,1 bilhões ficaram no setor privado e R$ 5,2 bilhões no setor público. Por isso, o fundo é o reconhecimento público de que o modelo tradicional de seguro não dá conta de um ciclo climático que mudou. Esse modelo nasceu pensado pra eventos pontuais. Além disso, a primavera 2026 chega, segundo o INMET, com padrão de chuva que confirma essa leitura. O instituto prevê anomalia positiva de precipitação pra toda a Região Sul, com projeções mais severas no leste do Rio Grande do Sul.
Pra quem tem casa em área de risco, o fundo é notícia direta. Ele aumenta a chance de encontrar seguradora disposta a oferecer cobertura contra enchente, e com prêmio potencialmente menor nos próximos ciclos. Já pra empresa, condomínio ou frota, o quadro é outro. O risco climático segue e a exposição patrimonial também, mas o mecanismo público de compartilhamento de risco ainda não alcança esses segmentos. Portanto, a proteção depende do que já está contratado na apólice particular. Vale a pena conferir isso antes do próximo temporal, não depois.
O que a Ducon vê no atendimento depois do anúncio
Nos dias que seguiram o anúncio, a Ducon registrou aumento na procura por revisão de cobertura. Em geral, são clientes que lembraram da enchente de 2024. Agora, eles chegam com perguntas mais específicas do que no ano passado. Querem saber se a apólice inclui alagamento, se há limite de indenização por tipo de evento e se cobre deslocamento temporário em caso de inundação. Boa parte das respostas depende da apólice individual. Afinal, a cobertura contra enchente não é automática em toda apólice patrimonial. Por isso, vale conferir se a sua já tem essa proteção, com que limite e sob que condições.
É dentro desse cenário que a campanha Tempo de Proteger segue ao longo de outubro. Nesse sentido, o Fundo Gaúcho de Riscos Climáticos é a materialização pública do mesmo diagnóstico que a campanha nomeia desde o começo do mês. O clima mudou de patamar, e proteger patrimônio deixou de ser escolha e passou a ser preparação. Por fim, a Ducon vai continuar acompanhando a regulamentação do fundo e trazendo pro leitor o que muda, pra quem muda e quando muda.